Rádio Engenho Velho

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Geopark Araripe recebe certificação positiva da Unesco


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Equipes do Geopark Araripe e de avaliadores da Unesco se confraternizam durante a Conferência Europeia de Geoparks. Certificação reconhece trabalho da instituição

Unesco confere certificação verde - melhor escala de avaliação - para o Geopark Araripe

Juazeiro do Norte. Anunciada a certificação verde, melhor escala de avaliação, para o projeto Geopark Araripe, na Conferência Europeia de Geoparks, na Noruega, na tarde de ontem. O evento será encerrado no próximo dia 21 e reúne representantes da rede internacional de geoparks do planeta. Com isso, o projeto, que em 2006 recebeu a chancela da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), com o selo da Rede Global de Geoparks, passa por uma avaliação positiva.

A informação foi repassada pelo vice-reitor da Universidade Regional do Cariri (Urca), Patrício Melo, ex-coordenador executivo do projeto. Ele se encontra na Noruega, participando do evento, juntamente com uma equipe do estado, incluindo representantes das secretarias das Cidades e Ciência, Tecnologia e Educação Superior, do Estado, além de técnicos do próprio Geopark.

Únicos das Américas

De acordo com Patrício, o Geopark continuará sendo o único das Américas, e do Brasil, até o próximo ano, quando novas candidaturas podem ser submetidas. As candidaturas propostas até aqui foram recusadas. Uma das previstas de ser anunciadas este ano poderia ser para o Estado de Minas Gerais, na área do Quadrilátero Ferrífero, já que era considerado um dos projetos mais avançados.

O geopark tem sido o principal incentivador desse processo e chegou a realizar encontros nacionais e internacionais com o propósito de incentivar novas candidaturas no Brasil.

O Geopark Araripe passou por recente avaliação com a certificação verde, o que indica, segundo o membro da Global Geopark Network (GGN ), Patrick Mckeever, ser o exemplo a ser seguido pelos demais interessados na América Latina. "O Geopark Araripe deve assumir uma posição de liderança quanto a construção de novos geoparks no Brasil e América Latina", disse a coordenadora da GGN Margarete Patzak, em Langsund, cidade sede da conferência, na tarde de ontem, ao anunciar a certificação.

Normalmente esses anúncios são realizados durante os eventos da Rede Global. Foram quatro anos que se seguiram para a primeira avaliação, com as prorrogações, mas, normalmente, a chancela é válida por três anos. O cartão verde reúne ações regulares voltadas para o desenvolvimento sustentável.

Há também o cartão amarelo, que traz uma atenção para o cumprimento de alguns itens de avaliação e, com isso, é sinalizado um tempo pela rede global, para que sejam cumpridos. E tem também o cartão vermelho, que é a suspensão como membro da rede, e que depois poderá se reabilitar, cumprindo as medidas exigidas. Em todas as avaliações é repassado o relatório feito pela equipe.

A previsão era de que, no máximo, com o desenvolvimento do projeto, principalmente nos últimos dois anos, se recebesse no mínimo um cartão amarelo. A avaliação do Geopark foi realizada em novembro do ano passado por uma comissão da Rede Global, formada por três avaliadores, que percorreram os nove geossítios nas seis cidades inseridas no projeto, começando pelo Centro de Interpretação, no Parque de Exposições do Crato.

Avaliação

A comissão avaliadora da Unesco visitou o Geopark Araripe na segunda quinzena de novembro de 2010, durante o 1º Workshop Latino-americano e Caribenho de Geoparks, realizado na região do Cariri. Os pesquisadores visitaram a Floresta Petrificada do Cariri, localizada no Sítio Olho D´água Comprido, há 7Km de Missão Velha.

A floresta faz parte de 12 sítios fossilíferos da região com as mesmas ocorrências e características. E estiveram, ainda, no Sítio Pinheiro, em Barbalha, e geossítios dos Municípios de Nova Olinda e Santana do Cariri. O Geopark Araripe está localizado ao sul do Ceará, na porção cearense da Bacia Sedimentar do Araripe e abrange área aproximada de 3,5 mil km².

INCENTIVO

Área receberá investimentos

Para os próximos dois anos, serão investidos R$ 7 milhões para ampliar atuação e ações no Geopark Araripe

Juazeiro do Norte. Nos próximos dois anos, está previsto um aporte de investimentos no projeto no valor de R$ 7 milhões, por meio da Secretaria das Cidades do Ceará, com empréstimo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (Bird).

São seis cidades com nove geossítios, que incorporam grandes reservas naturais. As ações do Geopark estão focadas nas áreas de geoconservação, geoturismo e geoeducação, no processo constante de desenvolvimento do território, no que diz respeito ao aspecto da sustentabilidade. Para o coordenador executivo do Geopark Araripe, Álamo Feitosa, o selo verde representa o coroamento de todo o esforço de uma equipe empenhada. "É um reconhecimento por excelência do trabalho que vem sendo feito e mostra que estamos no caminho certo", afirma.

Ele afirma que esse aval da Unesco demonstra, para os órgãos de fomento, a necessidade de mais investimentos, para que sejam desenvolvidas as obras de infraestrutura necessárias para o projeto. O projeto foi criado com o selo amarelo, segundo Álamo, necessitando de melhorias no aspecto estrutural. A proposta deu certo e sobe o patamar de reconhecimento, incluindo a América do Sul no mapa dos geoparks do mundo.

Resultado positivo

Segundo o coordenador, existem vários projetos na área. A expectativa estava voltada para a avaliação e, conforme ele, aconteceu de forma positiva e isso facilitará esse novo momento, mostrando mais credibilidade para que novos investimentos sejam efetivados no Geopark Araripe, que inclui geossítios nas cidades de Jardim, Barbalha, Crato, Juazeiro do Norte, Santana do Cariri e Nova Olinda, em uma área de 2.500 metros quadrados.

No próximo dia 28, será apresentado o inventário do Geopark Araripe, feito por uma equipe multidisciplinar, com as principais potencialidades nas áreas da geologia, paleontologia, arqueologia, biologia, socioeconômicos e culturais da área.

Álamo afirma que estará, a partir de hoje, no México, para efetivar um convênio com o Museu do Deserto do México com o Museu de Paleontologia de Santana do Cariri. A primeira atividade, por meio do convênio, será o início das escavações paleontológicas em Tijuana. A equipe do Cariri vai referenciada com o reconhecimento do trabalho de escavação controlada, que vem sendo desenvolvido na região.

Elizângela Santos
Repórter

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