Rádio Engenho Velho

sexta-feira, 11 de maio de 2012

ARARINHA AZUL ESTÁ VOLTANDO PARA CURAÇÁ

ARARINHA AZUL ESTÁ VOLTANDO PARA CURAÇÁ - CANÇÃO BRINCADEIRAS DE ARARAS, DE FERNANDO BARBALHA, SERÁ TEMA DO PROJETO

Em 2012 a Sociedade para a Conservação das Aves do Brasil - SAVE Brasil, que é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos, voltada à conservação das aves brasileiras e representa a aliança da BirdLife International no País,   iniciará a implementação do Plano Nacional para a conservação da ararinha-azul  no município de Curaçá.
Boa parte desse plano é focada em atividades de sensibilização ambiental e articulação de políticas públicas para a conservação do habitat da espécie, visando a posterior reintrodução de exemplares de cativeiro.  E no dia 10 de maio, haverá reuniões técnicas em Brasília, de iniciação para o lançamento do Plano. Na ocasião, será lançada a música tema da campanha, a canção Brincadeiras de Araras, de autoria do músico Fernando Ferreira, o Fernandinho Barbalha, atual diretor de cultura do Município, que a interpretará no evento, acompanhado de Adailton Sena, Fanilo Torres e Eldon.
É o talento da terra sendo reconhecido, pois Fernandinho pode ser considerado curaçaense, tanto pelos seus vínculos familiares, como pelos serviços prestados ao Município. A você, Fernando, parabéns! E boa sorte aos outros músicos que lhe acompanharão, pois fazem jus à sua escolha, pelo talento que carregam.

A história da Ararinha Azul se confunde com a de Curaçá 
A ararinha-azul, Cyanopsitta spixii,  foi encontrada e coletada pela primeira vez por Johan Baptist von Spix, em 1819, em Juazeiro, BA.
No período entre 1985 e 1988, o ornitólogo suíço Paul Roth, percorreu extensivamente os principais pontos onde havia informações de ocorrência da espécie, nos estados de Tocantins, Maranhão, Piauí, Pernambuco e Bahia e efetivamente localizou a espécie na natureza em 1986, com três exemplares selvagens vivendo no Município de Curaçá – BA.
Durante a estação reprodutiva de 1986/1987, o casal remanescente de ararinhas estabeleceu ninho, e os filhotes foram retirados por traficantes, e ainda em 1987 um dos três exemplares adultos desapareceu. Na estação reprodutiva de 1987/1988, o casal reprodutor estabeleceu ninho, mas a fêmea foi capturada por traficantes enquanto incubava os ovos, restando um único exemplar.
Em 1990, uma expedição organizada por L. C. Marigo e Francisco Pontual, com o apoio do ICBP, percorreu os principais pontos de informações anteriores sobre a ocorrência de , e localizou o último indivíduo ainda em Curaçá, no mesmo ponto investigado por Paul Roth.
A partir daí, em 1991, o CPRAA - Comitê Permanente para Recuperação da Ararinha-Azul, criou o PROJETO ARARINHA-AZUL, no Município de Curaçá, com a finalidade de estudar a ararinha-azul no campo, ou seja, sua área de vida, padrões de deslocamento, alimentação e comportamento, buscando preservar as áreas em que ela habita. Além disso o Projeto fazia um trabalho de envolvimento da comunidade, para que as pessoas se identificassem com a causa e participassem do trabalho de conservação.
Durante o PROJETO ARARINHA-AZUL, foram realizadas inúmeras expedições de busca a populações remanescentes desta espécie, sempre com resultado negativo.
Em decorrência de corte indiscriminado de árvores da caatinga, aonde restam apenas árvores mais jovens, não tão desenvolvidas e altas, e do tráfico ilegal, o único representante da espécie em habitat natural desapareceu em 2000/2001.
Hoje, as últimas ararinhas vivem longe de seu habitat, em cativeiro. No Brasil, restam apenas seis exemplares da ave: três no Criadouro Conservacionista Fundação Lymington e a outra metade na Fundação Zoológico de São Paulo. Ao todo, 68 ararinhas são oficialmente registradas pelo programa de reprodução em cativeiro, coordenado pelo governo brasileiro. A organização não-governamental Al Wabra Wildlife Preservation(AWWP), do Qatar, e fundações na Espanha e na Alemanha fazem parte da iniciativa.

A Boa Notícia

Desde 2004, a Al Wabra desenvolve, no Qatar, um programa de reprodução em cativeiro. Atualmente, a organização contabiliza 52 indivíduos. A boa notícia é que a ONG se prepara para reintroduzir algumas ararinhas azuis na região de Curaçá (BA), onde, em novembro do ano passado, adquiriu uma área de 2.200 hectares. Isso graças aos recursos investidos pelo fundador da organização, o Sheik Saoud Bin Mohammed Bin Ali Al-Thani.
O trecho de mata em Curaçá que deve abrigar a ararinha é considerado “o coração do centro de origem” da espécie. As florestas ao longo de um riacho oferecem um dos únicos ambientes na região com cavidades naturais para nidificação, e são também importante fonte de alimentos. A fazenda era utilizada para a criação de cabras, gado e cavalos. Essas espécies já foram removidas da propriedade e a vegetação, danificada pela pastagem, está sendo recuperada. É um esforço para arrumar a casa, à espera do dia em que a ararinha-azul volte a voar nos céus de Curaçá.


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