quarta-feira, 30 de maio de 2012

FOLGUEDOS

O QUE SÃO


Os folguedos são festas de caráter popular cuja principal característica é a presença de música, dança e representação teatral. Grande parte dos folguedos possui origem religiosa e raízes culturais dos povos que formaram nossa cultura (africanos, portugueses, indígenas). Contudo, muitos folguedos foram, com o passar dos anos, incorporando mudanças culturais e adicionando, às festas, novas coreografias e vestimentas (máscaras, colares, turbantes, fitas e roupas coloridas). Os folguedos fazem parte da cultura popular e do folclore brasileiro. Embora ocorram em quase todo território brasileiro, é no Nordeste que se fazem mais presentes.


Baianas
Este folguedo não possui um enredo determinado. As baianas cantam uma seqüência constituída de marchas de entrada ou abrição de sede, peças variadas e por fim a despedida. Personagens: grupo de dançadores. Trajes: vestes convencionais de baianas. Instrumentos: percussão.

Bumba meu boi
Auto popular de temática pastoril que tem na figura do boi o personagem principal. Aparece em todo o Brasil com os nomes de Bumba-meu-boi, Boi-Bum-bá, Boi-de-Reis, Bumba-boi, Boi-Surubi, Boi-Calemba, Boi-de-Mamão etc. Em Alagoas, a apresentação do Bumba é semelhante a um teatro de revista. Consta de desfila de bichos e personagens fantásticos, ao som de cantigas entoadas por cantores do conjunto musical que faz o acompanhamento. Toda a estrutura de apresentação teatral popular faz lembrar das ligações do bumba com as revivências e sinais bastante visíveis da Commedia De'Arte medieval.

Congada: espécie de dança-cortejo ocorre em diversas regiões do Brasil. Representam a coroação dos antigos reis do Congo (África).

Caboclinhas
Dança cortejo, sem enredo ou drama. Forma de reisado, no qual os personagens se vestem de penas. Originário dos maracatus pernambucanos com elementos do reisado alagoano, a exemplo das baianas e samba de matuto. Personagens: mestre, contramestre, embaixadores, vassalos, mateus, rei, lira, general, borboleta, estrela de ouro, rei Catulé e caboclinha. Trajes: cocar, tanga, braceletes e perneiras de penas de peru, colares, brincos de dente, conchas ou sementes. Instrumentos: banda de pífanos.

Cavalhada
Cortejo e torneio a cavalo, em que a parte mais importante consiste na retirada de uma argolinha, com a ponta da lança, em plena corrida. Os doze cavaleiros ou pares são divididos em cordões azul e encarmado. Tem origem nos torneios medievais.

Chegança
Auto marítimo existente em Alagoas é a versão das Mouriscadas da Península Ibérica e das danças Mouriscas da Europa. Quase todo bailado e cantado, realiza-se em uma barcaça armada especialmente para este fim. Personagens: almirante, capitão, Capitão de mar e guerra, mestre piloto, mestre patrão, padre-capelão ,doutor cirurgião, oficiais inferiores, marujos e dois gajeiros. Trajes: à maruja. Instrumentos: pandeiro.

Coco Alagoano
Dança de origem africana, cantada e acompanhada pelas batidas dos pés ou tropel. Também denominada pagode ou samba. Surge na época junina ou em outras ocasiões para se festejar acontecimentos importantes da comunidade. Personagens: mestre e dançadores. Traje: roupa do dia a dia. Variações do estilo: coco solto, quadra, embolado, coco de entrega, coco de dez pés, praieiro, bambelô, zambê, coco de roda e samba de coco.

Fandango
Auto dramático de temática náutica, como a chegança. Entoam cantigas náuticas de diversas épocas e origens, algumas sem dúvida portuguesas que falam de suas grandes navegações. Personagens: almirante, capitão, capitão de mar e guerra, mestre piloto, mestre patrão, oficiais, marujos e gajeiro. Trajes: oficiais com quepe de pala, paletó azul marinho com camisa e gravata preta, ornado de platinas e alamares, calças brancas, espadas e espadins; marujos de gorro e blusa maruja da mesma cor que a dos oficiais. Instrumentos: rabeca e viola.

Guerreiro
Auto genuinamente alagoano, misto de reisados alagoanos e do antigo e desaparecido auto dos Caboclinhas da chegança e dos pastoris, surgido entre os anos de 1927 e 1929. Trajes: multicoloridos, usando-se fitas, espelhos, diademas, mantos e contas aljôfares. Personagens: rei, rainha, índio Peri e seus vassalos, lira. Instrumentos: sanfona, tambor e pandeiro.

Maracatu:
Dança processional e cortejo real, parte dos Reinados dos Gongos. Não se deve confundir com o Auto dos Gongos, porque é uma reinterpretação deste. A palavra Maracatu é termo africano que significa dança ou batuque. O Maracatu já foi chamado de "Candomblé de Rua", porque é um grupo de adeptos das religiões afro-brasileiras que saem às ruas para fazer saudação aos orixás, ou "santos" dessas religiões. Em pleno carnaval ou natal, eles, contritos, reverenciam os encantados. Ao saírem do terreiro ou sede, fazem o "padê" de Exu, despacho seguido de orações para que essa entidade não perturbe o andamento do ritual.

Marujada: encenação nordestina que representa a vitória dos cristãos sobre os muçulmanos na Idade Média e também as conquistas marítimas européias dos séculos XV e XVI. Os personagens vestem-se com trajes de marinheiros, cristãos ou muçulmanos. Pandeiros, violões e outros instrumentos acompanham a encenação.

Pastoril
É um fragmento dos presépios, constituído por jornadas soltas, executado-se a de boa noite e a da despedida. Personagens: mestra, contramestra, diana, as pastorinhas, o pastor e a borboleta. Trajes: saias, blusas, faixas, aventais, chapéu de palhinha, nas cores azul e encarnado. Levam um pandeiro feito de lata, com cabo e sem tampa, ornado de fita com a cor do cordão a que pertence. Acompanhamento: conjunto de percussão e sopro.

Quadrilha Junina
A quadrilha junina, matuta ou caipira é uma dança típica das festas juninas, dançada, principalmente, na região Nordeste do Brasil. É originária de velhas danças populares de áreas rurais da França (Normandia) e da Inglaterra. Foi introduzida no Brasil, mais precisamente no Rio de Janeiro, possivelmente em 1820, por membros da elite imperial. Durante o Império, a quadrilha era a dança preferida para abrir os bailes da Corte. Depois popularizou-se saindo dos salões palacianos para as ruas e clubes populares, com o povo assimilando a sua coreografia aristocrática e dando-lhe novas características e nomes regionais.

Reisado
Auto popular profano religioso, formado por vários grupos de músicos, cantores e dançadores apresentando vários episódios. Sincretizou-se, no Estado, com o auto dos congos ou rei dos congos.
Personagens: rei, rainha, embaixador, mestre ou secretário de sal, contramestre, mateus e palhaço. Trajes: saiote de cetim colorido, chapéu de aba larga guarnecido de espelhos redondos, flores artificiais e fitas variadas. Instrumentos: sanfona, tambor e pandeiro.


terça-feira, 29 de maio de 2012

COMBATER A CULTURA BURGUESA, PROPAGANDEAR A CULTURA POPULAR


teatro_th
Todas as pessoas, e em especial os jovens, gostam de se divertir: ouvir músicas, dançar, ler livros, ver filmes, peças de teatro, enfim, de todo tipo de atividade cultural.
Mas, o que temos hoje de alternativa cultural para os jovens?  Temos músicas que chamam as mulheres de cachorras, potrancas e outros adjetivos degradantes;  músicas que colocam a mulher como objeto sexual; danças em que as mulheres ficam seminuas rebolando, numa clara banalização do sexo; filmes enlatados que mostram como é “boa” a vida nos Estados Unidos e por que devemos nos submeter ao imperialismo; filmes que apresentam o povo brasileiro como um povo culturalmente pacífico, além de inúmeras reportagens de televisão que colocam grandes líderes revolucionários como revoltados movidos por causas pessoais e não comprometidos com o bem da humanidade.
Hoje o que há de mais popularizado em termos de meios de comunicação de massas é a televisão. Por isso esta é também a forma  mais eficiente de difusão cultural, porque atinge o maior número de pessoas. Assim, a televisão se tornou para a burguesia o principal veiculador de sua ideologia,  seus modismos e de toda a decadência e podridão a que chegaram os velhos e reacionários exploradores.
E por que fazem isso?
A ideologia dominante, historicamente, da antigüidade até os nossos dias, é sempre a ideologia de quem está no controle do Estado, quem está no poder. E quem tem o poder do reacionário Estado brasileiro hoje, em nosso país, são a grande burguesia e os latifundiários, classes serviçais do imperialismo. A cultura, como forma ideológica, é reflexo da economia e da política da sociedade e, por sua vez, influi e atua em grande medida sobre estas. Portanto, a cultura que nos é passada hoje, nada mais é do que a cultura das classes dominantes, da grande burguesia e dos latifundiários, produzidas pelas relações de produção desta sociedade. Ao mesmo tempo a cultura também atua e influencia para que essas classes continuem no poder.
Essa cultura que nos é imposta, tem como um de seus objetivos tergiversar e negar a verdadeira cultura de nosso povo, suas raízes, sua história. Tentar barrar nosso ímpeto revolucionário é também um dos nefastos objetivos desta cultura, para que acreditemos na sua ideologia, que justifica a exploração e a opressão; para que não nos revoltemos contra essa situação de miséria em que vive o nosso povo.
A  cultura da grande burguesia é a cultura imperialista; é a manifestação cultural que contém e justifica idéias escravisadoras; dado que nosso país tem caráter de semi-colônia, principalmente do imperialismo norte-americano. A cultura da  classe latifundiária é a semi-feudal, que demonstra cultuar o velho, as velhas tradições e o velho código moral. A predominante e a principal em nossa sociedade atualmente é a cultura imperialista.
A crise capitalista e sua decadência cultural
O capitalismo está em crise, e suas crises são cíclicas. Da mesma forma, as manifestações de cultura desta sociedade também tem voltas e crises. Isso se manifesta na existência dos modismos.  Há algum tempo, era axé-music, no estilo “Tchan”, com suas danças da bundinha, e danças da garrafa. A pouco tempo atrás era o forró, que deixando de lado a sua tradição popular,  foi totalmente modificado. E agora mais recentemente é o funk que, como todos os ritmos negros, saído dos guetos e favelas é  veiculado atualmente como moda, expressando hoje o que há de mais podre nesta cultura que tentam nos impor.
E como as crises do sistema, as crises culturais tendem a ser cada vez pior, cada vez mais podre, mais aprofundado na ideologia de exploração, pois a medida que vai piorando as condições de vida do povo, a  grande burguesia busca, mais ainda, na cultura uma tentativa de segurar as massas, para que estam não se libertem toda a sua revolta contra esse sistema e façam revolução. Por isto buscam mostrar que as coisas sempre foram assim e que nunca vão mudar; que sofremos aqui para vivermos bem na outra vida. E sem que percebamos, ao falar que a mulher é burra, que o negro é incompetente e de outras parcelas da sociedade, tenta dividir as forças da classe proletária, pois sabem que desunidos somos mais fracos e temos menos chances de conseguir tomar-lhes o Poder.
Mas ao mesmo tempo em que se aprofunda essa cultura reacionária, da grande burguesia, cria na sociedade uma repulsa, uma resistência crescente e uma série de manifestações contrárias à utilização da imagem da mulher como objeto, à banalização do sexo, enfim, uma tentativa de rompimento com essa cultura que nos é imposta, o que é ao mesmo tempo uma tentativa de buscar a cultura popular.
Utilizando-se das formas populares de expressão em sua podre cultura, a burguesia nos passa uma falsa cultura popular. O que chamam cultura popular hoje não passa de uma variante da cultura da ideologia dominante.
Resgatar a verdadeira Cultura Popular
O que queremos é resgatar a nossa cultura, cultura verdadeiramente popular, que surgiu e se desenvolveu no decorrer de nossa história, de nossa nação, e da luta de classes de todos os países. Esta é muito pouco conhecida; somos privados totalmente dela. Cultura que fala da vida do povo, de sua labuta diária, de nossas batalhas heróicas, de nossas lutas pela transformação da sociedade, dos puros sentimentos humanos – não como mercadorias, sem banalização.
Nosso objetivo vai além de resgatar a cultura popular brasileira; queremos forjar uma nova cultura de nosso povo. Uma nova cultura que seja fruto da ideologia do proletariado, que esteja de acordo com a nova economia e a nova política que propomos para a sociedade. Cultura científica que busque a verdade nos fatos. Cultura das massas para as massas.
A cultura da Nova Democracia é a  cultura anti-imperialistas e anti-feudal das massas populares, baseada na aliança operário-camponesa, que combate a cultura reacionária e o imperialismo. Nova cultura que propagandeia a cultura popular e a Nova Democracia.
E, nesse intuito, viemos tendo experiências tanto no teatro quanto na música, de resgate da cultura popular e  introdução de uma nova cultura. Nosso trabalho mais recente é a peça teatral chamada “Tão Heróico Destino”, que fala da vida dos camponeses pobres, de sua tomada de consciência, desde o primeiro contato com a organização de luta pela terra; da  tomada da terra e de um futuro, nem tão distante, da luta pela tomada do poder. Uma pequena parte desta peça foi apresentada na Assembléia Nacional dos Estudantes do Povo.
Esse trabalho ainda está só começando; convocamos a todos a se integrarem nele. Essa luta é por uma nova cultura, mas vai mais além: constitui uma  importante parte na luta pela transformação de toda a sociedade.
Movimento Estudantil Popular Revolucionário

sexta-feira, 25 de maio de 2012

DOUTOR TRAGA O TREM DE VOLTA


É inadmissível o que vem acontecendo em Barbalha na parte cultural. Parece até que não temos mais noção do que é e o que não é cultura popular. Ando muito preocupado e essa minha preocupação me força a uma reflexão sobre os fundamentos da nossa cultura. Sobre o autoritarismo intrínseco de determinadas pessoas que nunca fizeram cultura e hoje se acham no poder e começam a perseguir , implacavelmente, justamente as pessoas que mais têm feito em prol dela. Parece até que estamos vivendo a ditadura militar onde não podíamos expressar nossos sentimentos e expor nossas idéias culturais. Não tenho culpa de ter nascido em um bairro eminentemente cultural, onde a cultura flui das veias das pessoas pobres, cheias de idéias e ricas de sabedoria, educação e simplicidade.

Esta semana, fui pego de surpresa onde tive de abortar um projeto inovador para Festa de Santo Antônio, “O Trem do Forró”. Senti-me em pleno golpe militar de 1964, onde muitas experiências promissoras no plano cultural foram interrompidas. O Projeto Trem do Forró seria a grande sensação e novidade da cultura popular do nosso município que há anos não se renova. Primeiro disseram que o Trem daria conotação carnavalesca, o que não é verdade. Carnaval são os bonecos gigantes que vão colocar andando no dia do pau da bandeira. Depois disseram que não tinha nada haver com a Festa. O que não tem haver com a Festa são os palhaços PATATI E PATATÁ. inventaram também que o Trem não teria como circular na cidade. E por último forçaram o proprietário do mesmo a desistir do aluguel a minha pessoa. Conseguiram castrar um projeto extremamente inteligente e promissor, e aí temos um processo ditatorial, uma ditadura que se implanta, um regime forte que sinto a cada dia uma tendência de restringir e limitar as liberdades de expressões do nosso povo.

É no que dá colocar pessoas sem nenhuma expressão cultural numa pasta tão importante como a Secretaria da Cultura do nosso município. Digo sem medo de errar. Perguntem ao atual Secretário se Ele sabe quem são:  Liduina, Lindete, Pedro Paró, Chico Severo, Zé Antonio?  Ou qual foi a atividade cultural que o mesmo desenvolveu nesses últimos dez anos? Quero que me digam apenas uma. 


Me sinto muito ofendido e magoado. Pensei em substituir o Trem por um Pau de Arara, mas me aquietei, pois seria com certeza mais uma vez proibido com o argumento de que o caminhão não pode conduzir pessoas na carroceria.
Sei que estas minhas declarações trarão mais penalizações a minha pessoa. Com certeza nosso grupo de Forró pé de serra ficará fora da Festa do povo Barbalhense. Porém já estou acostumado a estas sanções. A principal consequência que vejo a partir de agora é bastante drástica: como Barbalha não está vivendo uma sociedade democrática e não está se qualificando para conviver com sua própria pluralidade, vão se generalizar fenômenos extremamentes destrutivos, entre eles a perda da nossa identidade cultural, o que é uma pena.

Aqui fica o desabafo, lamento e imploração de uma pessoa que faz cultura desde quando nasceu, Panticola. 
DOUTOR TRAGA O TREM DE VOLTA!


quinta-feira, 24 de maio de 2012

ROLANDO BOLDRIN


Rolando Boldrin nasceu em São Joaquim da Barra, SP, em 22 de Outubro de 1936. Aos sete anos, já tocava viola e, aos 12, formando com um irmão a dupla Boy e Formiga, fazia sucesso no rádio de sua cidade. Incentivado pelo pai, resolveu tentar a sorte em São Paulo SP, onde trabalhou como sapateiro, frentista, carregador e garçom, antes de se firmar como artista.
Estreou na carreira musical nos anos de 1960, participando de um disco da cantora Lurdinha Pereira, que logo se tornou sua esposa e produtora de seus discos. Foi pioneiro na realização de programas de televisão dedicados a musica brasileira autentica, de inspiração regional, diferenciada da musica sertaneja de consumo: Som Brasil (TV Globo), Empório Brasil (TV Bandeirantes) e Empório Brasileiro (SBT).
Seu repertório de canções caipiras reúne cateretês, toadas e modas, compondo cuidadosa seleção do que ha de melhor na musica brasileira de enfoque rural. Sua discografia: 0 cantado, 1974; Êta mundo, 1976; Longe de casa, 1978; Rio abaixo, 1979; Rolando Boldrin, 1979; Giro-o-Giro, 1980; Inventando moda, 1980; Caipira, 1981; Poemas do Som Brasil, 1982; Violeiro, 1982 (em dupla com Ranchinho, Cascatinha, Corumbá e outros); Empório Brasileiro, 1984; Clássicos do poema caipira, 1985; Resposta do Jeca Tatu, 1989; Terno de missa, 1989; Emp6rio Brasil, 1990; Perto de casa, 1991; Disco da moda, 1993.
Sintetizou a experiência profissional na realização de "teatros musicados", espetáculos em que seu personagem se transforma em ator, cantador, poeta, interprete e contador de "causos": Palavrão, show com a Banda de Pau e Corda (1974), Teatro de quintal (1975), Paia... assada (1987) e Brasil em preto e branco (1993 e 1994) foram consagrados pelo publico e pela critica. No radio, criou o programa Violas de Repente, apresentado na Rádio Jornal de São Paulo (1980 e 1981) e na Rádio Globo (1982). Destacou-se também no cinema, premiado pela APCA por sua participação no filme Doramundo (1978), de João Batista de Andrade. CDs Disco da moda, 1993, RGE 3416012-2; Grandes sucessos de Rolando Boldrin, 1994, RGE 6019-2; Rolando Boldrin, 1994, Continental/Warner 9949030-2 (Coleção Som da Terra).

? - O vaqueiro Misterioso

TIRE ESTE ÁLBUM DO BALAIO:

1974 - O cantadô

TIRE ESTE ÁLBUM DO BALAIO:

1976 - Êta mundo

TIRE ESTE ÁLBUM DO BALAIO:

1978 - Longe de casa

TIRE ESTE ÁLBUM DO BALAIO:

1979 - canta Raul Torres e João Pacífico

TIRE ESTE ÁLBUM DO BALAIO:

1979 - Rio abaixo

TIRE ESTE ÁLBUM DO BALAIO:

1980 - Giro-o-Giro

TIRE ESTE ÁLBUM DO BALAIO:

1980 - Porta-retrato

TIRE ESTE ÁLBUM DO BALAIO:

1981 - O caipira

TIRE ESTE ÁLBUM DO BALAIO:

1981 - O melhor de Rolando Boldrin

TIRE ESTE ÁLBUM DO BALAIO:

1982 - Inventando moda

TIRE ESTE ÁLBUM DO BALAIO:

1982 - Poemas do Som Brasil

TIRE ESTE ÁLBUM DO BALAIO:

1982 - Violeiro

TIRE ESTE ÁLBUM DO BALAIO:

1984 - Empório brasileiro

TIRE ESTE ÁLBUM DO BALAIO:

1989 - Resposta do Jeca Tatu

TIRE ESTE ÁLBUM DO BALAIO:

1990 - Terno de missa

TIRE ESTE ÁLBUM DO BALAIO:

1991 - Perto de casa

TIRE ESTE ÁLBUM DO BALAIO:

quarta-feira, 23 de maio de 2012

CULTURA VIVA NA AMÉRICA LATINA


“Uma notícia está chegando lá do exterior
Não deu no rádio no jornal ou na televisão”
Em minhas centenas de viagens aos Pontos de Cultura pelo interior do Brasil sempre cantarolava a música “Notícias do Brasil” de Milton Nascimento com letra de Fernando Brant. Queria compartilhar este país que eu tinha oportunidade de ver com meus próprios olhos, um Brasil energizado e compartilhado pelos Pontos de Cultura, com gente criativa e valente, fazendo coisas diferentes na defesa do Bem Comum. De certa forma pude contar essas histórias no meu livro “PONTO de CULTURA, o Brasil de baixo para cima”, tanto que abro o livro fazendo um diálogo com esta música e a história dos Meninos e Meninas de Araçuaí (Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais) e o presente que deram à sua cidade: um cinema.


Agora, estando há mais de um ano e meio fora do Ministério da Cultura, me relembro da música e apenas faço uma mudança na letra, trocando “interior” por “exterior”. A vida tem me levado para fora do Brasil e desde março tenho recebido incontáveis convites para conferências e cursos em outros países, sobretudo América Latina, mas também Europa. No período em que estava trabalhando no ministério da cultura evitei as viagens oficiais ao exterior, pois tinha consciência de que, naquele momento, minhas responsabilidades estavam em dar conta de meu trabalho para o povo brasileiro, atendendo às milhares de entidades culturais comunitárias do Brasil, e assim fiz. Agora, sem responsabilidades de governo, posso sair difundindo, não mais um programa governamental, mas teoria, conceitos e experiências que podem e devem ser compartilhadas. Com isso já estamos realizando uma campanha continental pela Cultura Viva Comunitária, que busca assegurar em lei um orçamento mínimo de 0,1% do orçamento público para o “fazer cultural” autônomo e protagonista, potencializando os Pontos de Cultura existentes em cada país. Esta é uma experiência de lei continental, que se estende da Terra Fogo ao Rio Grande (o rio seco que separa o México do estado norte-americano do Texas), unindo 21 países.
Uma primeira percepção com estas viagens: é tudo tão comum!
Eu nos vejo quando estou na Guatemala, junto com a Caja Lúdica fundada por um casal de colombianos de Medellin. Neles encontro os tantos casais que diariamente levam adiante seus Pontos de Cultura no Brasil (entre os muitos Pontos de Cultura que conheci, aqui e no exterior, sempre encontro a presença dedicada e cúmplice de casais). Em verdade, a Caja Lúdica de Guatemala, atua como um Pontão de Cultura, articulando, capacitando e difundindo Pontos de Cultura por todo o país e mesmo entre seus vizinhos da América Central. São 50 pessoas em trabalho diário, vivendo da caixa lúdica, sendo remunerados por ela (não muito, pois sabemos o quanto é dura a vida de quem opta para trabalhar em uma perspectiva do bem comum, mas suficiente para uma vida digna e feliz). Des-silenciam um povo silenciado pelos genocídios recentes (na guerra civil que assolou o país até o final do século XX, há mais de 50.000 desaparecidos e 200.000 mortos em genocídio, isto em um país com pouco mais de 14 milhões de habitantes) e passados (a Guatemala está no centro da civilização Maya), recuperando a medicina tradicional dos povos Maya, seus ritos e histórias; mobilizando jovens e difundindo a cultura paz no país com o segundo maior índice de homicídios do mundo (70 assassinatos para cada 100.000 habitantes – no Brasil a taxa é de 22 por 100 mil); recuperando brincadeiras infantis e ocupando as ruas e praças com teatro, dança e música. Lá na Guatemala eles não contam uma política pública como o Cultura Viva e obtém recursos financeiros através de acordos de colaboração internacional; mas querem que o estado assuma sua responsabilidade reconhecendo a Cultura como um direito humano inalienável. Em agosto deste ano participei de uma Comparsa (passeata festiva) nas ruas da cidade de Guatemala, a capital; estávamos em mais de 500 manifestantes, gente em perna de pau (lá descobri que a perna de pau era usada pelos Mayas há milênios), com roupas diferentes, máscaras, e muito sorriso no rosto. O que q o queriam e querem? Pontos de Cultura como base e a Cultura Viva como alavanca para o desenvolvimento sustentável.
Em outro extremo da América, a Argentina, nova manifestação (foi em novembro de 2010, se bem me recordo): El Pueblo Hace Cultura! Igualmente, mais de 500 pessoas nas ruas. Grupos de Teatro do Oprimido se apresentando “en las calles” (com sotaque bem portenho, em que dois eles formam gê). As avenidas largas de Buenos Aires foram palco de uma linda manifestação com tambores e caminhões artísticos do Calderon Timbal (outro Pontão de Cultura que preenche a periferia da grande Buenos Aires com arte). Juntos, saímos do Congresso Nacional e fomos até a Casa Rosada (palácio presidencial), concentrando-nos na histórica Plaza de Mayo e provando que Crear vale la pena! (mais um Ponto de Cultura). E para lavar a festa, uma chuva de verão, com direito a sol e arco-íris. Na Argentina já há edital do governo para seleção de Pontos de Cultura e projeto de lei no Congresso.
Mais ao norte, no Peru, novas manifestações pela Cultura Viva por una Nueva Lima! O governo da capital do Peru já está implantando o programa como estratégia para o desenvolvimento local, e o ministério da cultura, após a vitória do presidente Ollanta Humalla, definiu os Pontos de Cultura como prioridade; há até um slogan no site do ministério: “Punto de Cultura, la identidad en la diversidad!” Tudo começou com uma moça peruana que esteve presente na Teia de Fortaleza e que leva o nome de pomba: Paloma; mas hoje já são tantas as pessoas engajadas nas terras Incas que nem é possível conta-las. Tudo em tão pouco tempo e já voam como a Cultura Viva que se espalha pelo mundo.
Atravessando os Andes, e regressando à América Central: Costa Rica. Pura Vida! É assim que eles definem a vida por lá, Pura Vida, um país de gente corajosa, que há 60 anos decidiu viver sem forças armadas e priorizar o investimento em cultura e educação. Um pais pequeno, com um povo feliz e educado; eles se autodefinem como “Ticos”, isso porque tem o hábito de se referir a tudo no diminutivo. O ministro da cultura é um músico entre o erudito, o tradicional e o jazz e há anos sai recolhendo ritmos e sons da cultura popular da América Central, depois compõe em coisas novas com a orquestra da Papaya, pura mistura, como a realizada a partir dos prêmios do Interações Estéticas do Cultura Viva. Há redes de cultura no interior do país, na montanha, no litoral, entre vulcões, na capital; surpreendam-se! Em San Jose (a capital, com 1.500.000 habitantes) há 20 teatros com programação regular, de quarta a domingo; e no primeiro Encontro Nacional pela Cultura Viva Comunitária reuniram mais de cem entidades de todo país. Todos querem ser Ponto de Cultura; ou melhor: PonTICOS de Cultura!
Mais ao norte: México. Um país continente como o Brasil. A terra das cores vibrantes, das mil culturas, das pirâmides e da sabedoria ancestral ameríndia. O Ponto de encontro foi a Cidade do México, enorme, e para lá foi gente de todo país. Na divisa com os Estados Unidos, uma cidade assolada pelos cartéis do trafico de drogas e a super exploração da mão de obra em fabricas maquiadoras de produtos importados, Ciudad Juarez, combate o genocídio de mulheres com biblioteca comunitária e ações de leitura e gênero; mais um Ponto de Cultura que já é. Há outros, na periferia da capital, nos estados de Oxaca, Chiapas, falando em espanhol ou em idiomas indígenas. Além de um enorme interesse das universidades mexicanas por toda a experiência brasileira; na faculdade de economia da UNAM (Universidade Nacional Autônoma do México) a conferencia foi “Economia Viva e Economia Criativa?”, na IberoAmericana, sobre Cultura Digital e na Universidade do Distrito Federal, sobre Cultura e Direitos Humanos. Pura troca em que fui acompanhado por um Ponto de Cultura do Brasil, o Vídeo nas Aldeias.
Unindo as partes desta América diversa e ensolarada, a Colômbia. Uma surpresa! Eu próprio, acostumado a combater estereótipos e preconceitos, me surpreendi com aquele país. Um povo tão gentil e amável. Como podem viver em meio a tanta violência? Narcotraficantes, contras, guerrilheiros. Como pode? Em sua cultura ancestral, vi uma das mais delicadas metalurgias, só trabalhos em ouro, com imagens de flores, pássaros, macacos, nenhuma arma, nenhuma cena de violência. Enquanto visitava esta bela ourivesaria no Museu do Ouro de Bogotá, comparava com a cultura grega, romana ou dos demais povos europeus ou asiáticos e lembrava das imagens de guerra e destruição, das armas e batalhas aterradoras. Com a arte dos primeiros habitantes do El Dorado (os conquistadores espanhóis supunham que a cidade de ouro estava no território da atual Colômbia) só vi beleza e paz. Para eles, os Pontos de Cultura tem um significado: desesconder a Colômbia ancestral e religar o presente com a paz. Em Bogotá, há toda uma articulação da prefeitura municipal pela Cultura Viva; em Cali, mais de cem grupos a defender a defender os conceitos da Cultura Viva (autonomia, protagonismo e empoderamento social) e em Medellin, um dos mais instigantes laboratórios de tecnologias sociais no mundo. Uma cidade que se reinventa pela Cultura (5% do orçamento público vai para a pasta da Cultura), que faz lindas bibliotecas em meio a favelas, que estabelece um compromisso cidadão e trata bem ao seu povo; assim estão superando as marcas do narcotráfico e das desigualdades. Mas faltava um ponto a aproximar ainda mais governo e povo, um ponto de potência que só se encontra nas comunidades ativas. Quem fez este ponto e alavanca, foi um Ponto de Cultura que já é, Nuestra Gente, uma casa comunitária em meio à favela, com Jorge Blandon e tantos amigos gentis.
Nuestros hermanos, em todos os países, gente comum a todas as outras que conheci em cada viagem pelo interior do Brasil e agora por nuestra América.

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Célio Turino
Historiador, escritor e gestor de políticas públicas. Foi idealizador e gestor do programa Cultura Viva e dos Pontos de Cultura. Para mais artigos deste autorclique aqui