quinta-feira, 15 de março de 2012

ROMANCE DO PAVÃO MISTERIOSO


Capa do folheto O Romance do Pavão Misterioso. Xilogravura de José Stênio Diniz.
JOÃO MELQUÍADES FERREIRA DA SILVA, conhecido como o cantor da Borborema, nasceu a 7 de setembro de 1889, em Bananeiras, Paraíba, e faleceu em João Pessoa, em 10 de dezembro de 1933. Militar aos 19 anos, foi promovido a sargento cinco anos mais tarde. Participou das campanhas de Canudos, em 1897, e do Acre, em 1903. Foi mestre da banda de corneteiros do 28º Batalhão em São João da Barra, Minas Gerais. Reformado em 1904, voltou à Paraíba onde fixou residência. Cantador e poeta popular, percorreu todo o nordeste vendendo folhetos e cantando desafios.
(Biografia extraída de BATISTA, Sebastião Nunes. Antologia da literatura de cordel, 1977)

ROMANCE DO PAVÃO MISTERIOSO
1
Eu vou contar uma história
De um pavão misterioso
Que levantou vôo na Grécia
Com um rapaz corajoso
Raptando uma condessa
Filha de um conde orgulhoso.

2
Residia na Turquia
Um viúvo capitalista
Pai de dois filhos solteiros
O mais velho João Batista
Então o filho mais novo
Se chamava Evangelista.

3
O velho turco era dono
Duma fábrica de tecidos
Com largas propriedades
Dinheiro e bens possuídos
Deu de herança a seus filhos
Porque eram bem unidos.

4
Depois que o velho morreu
Fizeram combinação
Porque o tal João Batista
Concordou com o seu irmão
E foram negociar
Na mais perfeita união.

5
Um dia João Batista
Pensou pela vaidade
E disse a Evangelista:
- Meu mano eu tenho vontade
de visitar o estrangeiro
se não te deixar saudade.

6
- Olha que nossa riqueza
se acha muito aumentada
e dessa nossa fortuna
ainda não gozei nada
portanto convém qu'eu passe
um ano em terra afastada.


7
Respondeu Evangelista:
- Vai que eu ficarei
regendo os negócios
como sempre eu trabalhei
garanto que nossos bens
com cuidado zelarei.

9
João Batista prometeu
Com muito boa intenção
De comprar um objeto
De gosto de seu irmão
Então tomou um paquete
E seguiu para o Japão.

11
João Batista entrou na Grécia
Divertiu-se em passear
Comprou passagem de bordo
E quando ia embarcar
Ouviu um grego dizer
Acho bom se demorar.

13
- Mora aqui nesta cidade
um conde muito valente
mais soberbo do que Nero
pai de uma filha somente
é a moça mais bonita
que há no tempo presente

15
- De ano em ano essa moça
bota a cabeça de fora
para o povo adorá-la
no espaço de uma hora
para ser vista outra vez
tem um ano de demora.

17
Os estrangeiros têm vindo
Tomarem conhecimento
Amanhã quando ela aparece
No grande ajuntamento
É proibido pedir-se
A mão dela em casamento.

19
Logo no segundo dia
Creuza saiu na janela
Os fotógrafos se vexaram
Tirando o retrato dela
Quando inteirou uma hora
Desapareceu a donzela.

21
O fotógrafo respondeu:
- Lhe custa um conto de réis
João Batista ainda disse:
- Eu compro até por dez
se o dinheiro não der
empenharei os anéis.

23
Então disse Evangelista:
- Meu mano vá me contando
se viste coisas bonitas
onde andaste passeando
o que me traz de presente
vá logo entregando.

25
Respondeu Evangelista
Depois duma gargalhada:
- Neste caso meu irmão
pra mim não trouxe nada
pois retrato de mulher
é coisa bastante usada.

27
João Batista retirou
O retrato de uma mala
Entregou ao rapaz
Que estava de pé na sala
Quando ele viu o retrato
Quis falar tremeu a fala.

29
Respondeu João Batista
- Creuza é muito mais formosa
do que o retrato dela
em beleza é preciosa
tem o corpo desenhado
por uma mão milagrosa.

31
Respondeu Evangelista
- Pois meu irmão eu te digo
vou sair do país
não posso ficar contigo
pois a moça do retrato
deixou-me a vida em perigo.

33
- Teu conselho não me serve
estou impressionado
rapaz sem moça bonita
é um desaventurado
se eu não me casar com Creuza
findo meus dias enforcado.

35
Deram o balanço no dinheiro
Só três milhões encontraram
Tocou dois a Evangelista
Conforme se combinaram
Com relação ao negócio
Da firma se desligaram.

37
Logo que chegou na Grécia
Hospedou-se Evangelista
Em um hotel dos mais pobres
Negando assim sua pista
Só para ninguém saber
Que era um capitalista.

39
Os hotéis já se achavam
Repletos de passageiros
Passeavam pelas praças
Os grupos de cavalheiros
Havia muito fidalgos
Chegado dos estrangeiros.

41
Quando Evangelista viu
O brilho da boniteza
Disse: - Vejo que meu mano
Quis me falar com franqueza
Pois esta gentil donzela
É rainha de beleza.

43
No outro dia saiu
Passeando Evangelista
Encontrou-se na cidade
Com um moço jornalista
Perguntou se não havia
Naquela praça um artista.

45
Evangelista entrou
Na casa do engenheiro
Falando em língua grega
Negando ser estrangeiro
Lhe propôs um bom negócio
Lhe oferecendo dinheiro.

47
Respondeu-lhe Edmundo
- Na arte não tenho medo
mas vejo que o amigo
quer um negócio em segredo
como precisa de mim
conte-me lá o enredo.

49
- Eu aceito o seu contrato
mas preciso lhe avisar
que eu vou trabalhar seis meses
o senhor vai esperar
é obra desconhecida
que agora vou inventar.

51
Enquanto Evangelista
Impaciente esperava
O engenheiro Edmundo
Toda noite trabalhava
Oculto em sua oficina
E ninguém adivinhava.
8
- Quero te fazer um pedido:
procure no estrangeiro
um objeto bonito
só para rapaz solteiro;
traz para mim de presente
embora custe dinheiro.

10
João Batista no Japão
Esteve seis meses somente
Gozando daquele império
Percorreu o Oriente
Depois voltou para a Grécia
Outro país diferente.

12
João Batista interrogou:
- Amigo fale a verdade
por qual motivo o senhor
manda eu ficar na cidade?
Disse o grego: - Vai haver
Uma grande novidade.

14
- É a moça em que eu falo
Filha do tal potentado
O pai tem ela escondida
Em um quarto de sobrado
Chama-se Creuza e criou-se
Sem nunca ter passeado.

16
O conde não consentiu
Outro homem educá-la
Só ele como pai dela
Teve o poder de ensiná-la
E será morto o criado
Que dela ouvir a fala.

18
Então disse João Batista
- Agora vou me demorar
pra ver essa condessa
estrela desse lugar
quando eu chegar à Turquia
tenho muito o que contar.

20
João Batista viu depois
Um retratista vendendo
Alguns retratos de Creuza
Vexou-se e foi dizendo:
- Quanto quer pelo retrato
porque comprá-lo pretendo.

22
João Batista voltou
Da Grécia para a Turquia
E quando chegou em Meca
Cidade em que residia
Seu mano Evangelista
Banqueteou o seu dia.

24
Respondeu João Batista:
- Para ti trouxe um retrato
de uma condessa da Grécia
moça que tem fino trato
custou-me um conto de réis
ainda achei muito barato.

26
- Sei que tem muitos retratos
mas como o que eu trouxe não
vais agora examiná-lo
entrego em tua mão
quando vires a beleza
mudará de opinião.

28
Evangelista voltou
Com o retrato na mão
Tremendo quase assustado
Perguntou ao seu irmão
Se a moça do retrato
Tinha aquela perfeição.

30
João Batista perguntou
Fazendo ar de riso:
- Que é isso, meu irmão
queres perder o juizo?
Já vi que este retrato
Vai te causar prejuizo.

32
João Batista falou sério:
- Precipício não convém
de que te serve ir embora
por este mundo além
em procura de uma moça
que não casa com ninguém.

34
- Vamos partir a riqueza
que tenho a necessidade
dá balanço no dinheiro
porque eu quero a metade
o que não posso levar
dou-te de boa vontade.

36
Despediu-se Evangelista
Abraçou o seu irmão
Chorando um pelo outro
Em triste separação
Seguindo um para a Grécia
Em uma embarcação.

38
Ali passou oito meses
Sem se dar a conhecer
Sempre andando disfarçado
Só para ninguém saber
Até que chegou o dia
Da donzela aparecer.

40
As duas horas as tarde
Creuza saiu à janela
Mostrando a sua beleza
Entre o conde e a mãe dela
Todos tiraram o chapéu
Em continência à donzela.

42
Evangelista voltou
Aonde estava hospedado
Como não falou com a moça
Estava contrariado
Foi inventar uma idéia
Que lhe desse resultado.

44
Respondeu o jornalista:
- Tem o doutor Edmundo
na rua dos Operários
é engenheiro profundo
para inventar maquinismo
é ele o maior do mundo.

46
Assim disse Evangelista:
- Meu engenheiro famoso
primeiro vá me dizendo
se não é homem medroso
porque eu quero custar
um negócio vantajoso

48
- Eu amo a filha do conde
a mais formosa mulher
se o doutor inventar
um aparelho qualquer
que eu possa falar com ela
pago o que o senhor quiser.

50
- Quer o dinheiro adiantado?
Eu pago neste momento
- Não senhor, ainda é cedo
quando terminar o invento
é que eu digo o preço
quanto custa o pagamento.

52
O grande artista Edmundo
Desenhou nova invenção
Fazendo um aeroplano
De pequena dimensão
Fabricado de alumínio
Com importante armação.
53
Movido a motor elétrico
Depósito de gasolina
Com locomoção macia
Que não fazia buzina
A obra mais importante
Que fez em sua oficina.

56
Quando Edmundo findou
Disse a Evangelista:
- Sua obra está perfeita
ficou com bonita vista
o senhor tem que saber
que Edmundo é artista.

58
Foram experimentar
Se tinha jeito o pavão
Abriram a lavanca e chave
Encarcaram num botão
O monstro girou suspenso
Maneiro como balão.

60
Então disse o engenheiro:
- Já provei minha invenção
fizemos a experiência
tome conta do pavão
agora o senhor me paga
sem promover discussão.

62
Edmundo ainda deu-lhe
Mais uma serra azougada
Que serrava caibro e ripa
E não fazia zuada
Tinha os dentes igual navalha
De lâmina bem afiada.

64
À meia-noite o pavão
Do muro se levantou
Com as lâmpadas apagadas
Como uma flecha voou
Bem no sobrado do conde
Na cumeeira pousou.

69
Chegou no quarto de Creuza
Onde a donzela dormia
Debaixo do cortinado
Feito de seda amarela
E ele para acordá-la
Pôs a mão na testa dela.

71
Então Creuza deu um grito:
- Papai um desconhecido
entrou aqui no meu quarto
sujeito muito atrevido
venha depressa papai
pode ser algum bandido.

73
De um lenço enigmático
Que quando Creuza gritava
Chamando o pai dela
Então o moço passava
Ele no nariz da moça
Com isso ela desmaiava.

75
Ajeitou os caibros e ripas
E consertou o telhado
E montando em seu pavão
Voou bastante vexado
Foi esconder o aparelho
Aonde foi fabricado.

77
Percorreu todos os cantos
Com a espada na mão
Berrando e soltando pragas
Colérico como um leão
Dizendo: - Aonde encontrá-lo
Eu mato esse ladrão.

79
Disse o conde: - Nesse caso
Tu já estás a sonhar
Moça de dezoito anos
Já pensando em se casar
Se aparecer casamento
Eu saberei desmanchar.

81
E Creuza estava deitada
Dormindo o sono inocente
Seus cabelos como um véu
Que enfeitava puramente
Como um anjo de terreal
Que tem lábios sorridentes.

83
A moça interrogou-o
Disse: - Quem é o senhor
Diz ele: - Sou estrangeiro
Lhe consagrei grande amor
Se não fores minha esposa
A vida não tem valor.

85
Como eu lhe tenho amizade
Me arrisco fora de hora
Moça não me negue o sim
A quem tanto lhe adora!
Creuza aí gritou: - Papai
Venha ver o homem agora.

87
Ouviu-se tocar a corneta
E o brado da sentinela
O conde se dirigiu
Para o quarto da donzela
Viu a filha desmaiada
Não pode falar com ela.

89
- Minha filha, eu já pensei
em um plano bem sagaz
passa essa banha amarela
na cabeça desse audaz
só assim descobriremos
esse anjo ou satanás.

91
Evangelista também
Desarmou seu pavão
A cauda, a capota, o bico
Diminuiu a armação
Escondeu o seu motor
Em um pequeno caixão.

93
Já era a terceira vez
Que Evangelista entrava
No quarto que a condessa
À noite se agasalhava
Pela força do amor
O rapaz se arriscava.

95
Evangelista sentou-se
Pôs-se a conversar com ela
Trocando o riso esperava
A resposta da donzela
Ela pôs-lhe a mão na testa
Passou a banha amarela.

97
E logo Evangelista
Voando da cumeeira
Foi esconder seu pavão
Nas folhas de uma palmeira
Disse: - Na quarta viagem
Levo essa estrangeira.

99
Disse o conde: - Minha filha
Parece que estás doente?
Sofreste algum acesso
Porque teu olhar não mente
O tal rapaz encantado
Te apareceu certamente.
54
Tinha cauda como leque
As asas como pavão
Pescoço, cabeça e bico
Lavanca, chave e botão
Voava igualmente ao vento
Para qualquer direção.

57
- Eu fiz o aeroplano
da forma de um pavão
que arma e se desarma
comprimindo em um botão
e carrega doze arroba
três léguas acima do chão.

59
O pavão de asas abertas
Partiu com velocidade
Coroando todo o espaço
Muito acima da cidade
Como era meia noite
Voaram mesmo à vontade.

61
Perguntou Evangelista:
- Quanto custa o seu invento?
- Dê me cem contos de réis
acha caro o pagamento
o rapaz lhe respondeu:
Acho pouco dou duzentos.

63
Então disse o jovem turco:
- Muito obrigado fiquei
do pavão e dos presentes
para lutar me armei
amanhã a meia-noite
com Creuza conversarei.

65
Evangelista em silêncio
Cinco telhas arredou
Um buraco de dois palmos
Caibros e ripas serrou
E pendurado numa corda
Por ela escorregou.

70
A donzela estremeceu
Acordou no mesmo instante
E viu um rapaz estranho
De rosto muito elegante
Que sorria para ela
Com um olhar fascinante.

72
O rapaz lhe disse: - Moça
Entre nós não há perigo
Estou pronto a defendê-la
Como um verdadeiro amigo
Venho é saber da senhora
Se quer casar-se comigo.

74
O jovem puxou o lenço
Ao nariz da moça encostou
Deu uma vertigem na moça
De repente desmaiou
E ele subiu na corda
Chegando em cima tirou.

76
O conde acordou aflito
Quando ouviu essa zuada
Entrou no quarto da filha
Desembainhou a espada
Encontrou-a sem sentido
Dez minutos desmaiada.

78
Creuza disse: - Meu pai
Pois eu vi neste momento
Um jovem rico e elegante
Me falando em casamento
Não vi quando ele encantou-se
Porque me deu um passamento.

80
Evangelista voltou
Às duas da madrugada
Assentou seu pavão
Sem que fizesse zuada
Desceu pela mesma trilha
Na corda dependurada.

82
O rapaz muito sutil
Foi pegando na mão dela
Então a moça assustou-se
Ele garantiu a ela
Que não eram malfazejos:
- Não tenha medo donzela.

84
Mas Creuza achou impossível
O moço entrar no sobrado
Então perguntou a ele
De que jeito tinha entrado
E disse: - Vai me dizendo
Se és vivo ou encantado.

86
Ele passou-lhe o lenço
Ela caiu sem sentido
Então subiu na corda
Por onde tinha descido
Chegou em cima e disse:
- O conde será vencido.

88
Até que a moça tornou
Disse o conde: - É um caso sério
Sou um fidalgo tão rico
Atentado em meu critério
Mas nós vamos descobrir
O autor do mistério.

90
- Só sendo uma visão
que entra neste sobrado
só chega à meia-noite
entra e sai sem ser notado
se é gente desse mundo
usa feitiço encantado.

92
Depois de sessenta dias
Alta noite em nevoeiro
Evangelista chegou
No seu pavão bem maneiro
Desceu no quarto da moça
A seu modo traiçoeiro.

94
Com um pouco a moça acordou
Foi logo dizendo assim:
- Tu tens dito que me amas
com um bem-querer sem fim
se me amas com respeito
te senta juntos de mim.

96
Depois Creuza levantou-se
Com vontade de gritar
O rapaz tocou-lhe o lenço
Sentiu ela desmaiar
Deixou-a com uma síncope
Tratou de se retirar.

98
Creuza então passou o resto
Da noite mal sossegada
Acordou pela manhã
Meditava e cismada
Se o pai não perguntasse
Ela não dizia nada.

100
E Creuza disse: - Papai
Eu cumpri o seu mandado
O rapaz apareceu-me
Mas achei-o delicado
Passei-lhe a banha amarela
E ele saiu marcado.

101
O conde disse aos soldados
Que a cidade patrulhassem
Tomassem os chapéus de
Quem nas ruas encontrassem
Um de cabelo amarelo
Ou rico ou pobre pegassem.

103
Os soldados lhe disseram:
- Cidadão não estremeça
está preso a ordem do conde
e é bom que não se cresça
vai a presença do conde
se é homem não esmoreça.

105
Evangelista respondeu:
- Também me faça um favor
enquanto vou me vestir
minha roupa superior
na classe de homem rico
ninguém pisa meu valor.

107
Seguiu logo Evangelista
Conversando com o guarda
Até que se aproximaram
Duma palmeira copada
Então disse Evangelista:
- Minha roupa está trepada.

109
Evangelista subiu
Pôs um dedo no botão
Seu monstro de alumínio
Ergueu logo a armação
Dali foi se levantando
Seguiu voando o pavão.

111
Então mandaram subir
Um soldado de coragem
Disseram: - Pegue na perna
Arraste com a folhagem
Está passando na hora
De voltarmos da viagem.

113
Voltaram e disseram ao conde
Que o rapaz tinham encontrado
Mas no olho de uma palmeira
O moço tinha voado
Disso o conde: - Pois é o cão
Que com Creuza tem falado.

115
Disse Creuza: - Ora papai
Me prive da liberdade
Não consente que eu goze
A distração da cidade
Vivo como criminosa
Sem gozar a mocidade.

117
- O rapaz que me amou
só queria vê-lo agora
para cair nos seus pés
como uma infeliz que chora
embora que eu depois
morresse na mesma hora.

119
Às quatro da madrugada
Evangelista desceu
Creuza estava acordada
Nunca mais adormeceu
A moça estava chorando
O rapaz lhe apareceu.

121
O rapaz disse: - Menina
A mim não fizeste mal
Toda a moça é inocente
Tem seu papel virginal
Cerimônia de donzela
É uma coisa natural.

123
- Se o senhor é homem sério
e comigo quer casar
pois tome conta de mim
aqui não quero ficar
se eu falar em casamento
meu pai manda me matar.

125
Creuza estava empacotando
O vestido mais elegante
O conde entrou no quarto
E dando um berro vibrante
Gritando: - Filha maldita
Vais morrer com o seu amante.

127
Ouviu-se o baque do conde
Porque rolou desmaiado
A última cena do lenço
Deixou-o magnetizado
Disse o moço: -Tem dez minutos
Para sairmos do sobrado.

129
Com pouco o conde acordou
Viu a corda pendurada
Na coberta do sobrado
Distinguiu uma zuada
E as lâmpadas do aparelho
Mostrando luz variada.

131
Os soldados da patrulha
Estavam de prontidão
Um disse: - Vem ver fulano
Aí vai passando um pavão
O monstro fez uma curva
Para tomar direção.

133
O conde olhou para a corda
E o buraco do telhado
Como tinha sido vencido
Pelo rapaz atilado
Adoeceu só de raiva
Morreu por não ser vingado.

135
Em casa de João Batista
Deu-se grande ajuntamento
Dando vivas ao noivado
Parabéns ao casamento
À noite teve retreta
Com visita e cumprimento.

137
Dizia o telegrama:
"Creuza vem com o teu marido
receber a tua herança
o conde é falecido
tua mãe deseja ver
o genro desconhecido."

139
De manhã quando os noivos
Acabaram de almoçar
E Creuza em traje de noiva
Pronta para viajar
De palma, véu e capela
Pois só vieram casar.

141
Os noivos tomaram assento
No pavão de alumínio
E o monstro se levantou-se
Foi ficando pequenino
Continuou o seu vôo
Ao rumo do seu destino.

143
Na tarde do mesmo dia
Que o pavão foi chegado
Em casa de Edmundo
Ficou o noivo hospedado
Seu amigo de confiança
Que foi bem recompensado.

145
Disse a velha: - Minha filha
Saíste do cativeiro
Fizeste bem em fugir
E casar no estrangeiro
Tomem conta da herança
Meu genro é meu herdeiro.

102
Evangelista trajou-se
Com roupa de alugado
Encontrou-se com a patrulha
O seu chapéu foi tirado
Viram o cabelo amarelo
Gritaram: - Esteja intimado!

104
- Você hoje vai provar
por sua vida responde
como é que tem falado
com a filha do nosso conde
quando ela lhe procura
onde é que se esconde.

106
Disseram: - Pode mudar
Sua roupa de nobreza
A moça bem que dizia
Que o rapaz tinha riqueza
Vamos ganhar umas luvas
E o conde uma surpresa.

108
E os soldados olharam
Em cima tinha um caixão
Mandaram ele subir
E ficaram de prontidão
Pegaram a conversar
Prestando pouca atenção.

110
E os soldados gritaram:
- Amigo, o senhor se desça
deixe de tanta demora
é bom que não aborreça
senão com pouco uma bala
visita sua cabeça.

112
Quando o soldado subiu
Gritou: - Perdemos a ação
Fugiu o moço voando
De longe vejo um pavão
Zombou de nossa patrulha
Aquele moço é o cão.

114
Creuza sabendo da história
Chorava de arrependida
Por ter marcado o rapaz
Com banha desconhecida
Disse: - Nunca mais terei
Sossego na minha vida.

116
- Aqui não tenho direito
de falar com um criado
um rapaz para me ver
precisa ser encantado
mas talvez ainda eu fuja
deste maldito sobrado.

118
- Eu sei que para ele
não mereço confiança
quando ele vinha aqui
ainda eu tinha esperança
de sair desta prisão
onde estou desde de criança.

120
O jovem cumprimentou-a
Deu-lhe um aperto de mão
A condessa ajoelhou-se
Para pedir-lhe perdão
Dizendo: - Meu pai mandou
Eu fazer-te uma traição.

122
- Todo o seu sonho dourado
é fazer-te minha senhora
se quiseres casar comigo
te arrumas e vamos embora
senão o dia amanhece
e se perde a nossa hora.

124
- Que importa que ele mande
tropas e navios pelos mares
minha viagem é aérea
meu cavalo anda nos ares
nós vamos sair daqui
casar em outros lugares.

126
O conde rangendo os dentes
Avançou com passo extenso
Deu um pontapé na filha
Dizendo: - Eu sou quem venço
Logo no nariz do conde
O rapaz passou o lenço.

128
Creuza disse: - Eu estou pronta
Já podemos ir embora
E subiram pela corda
Até que sairam fora
Se aproximava a alvorada
Pela cortina da aurora.

130
E a gaita do pavão
Tocando uma rouca voz
O monstro de olho de fogo
Projetando os seus faróis
O conde mandando pragas
Disse a moça: - É contra nós.

132
Então dizia um soldado
- Orgulho é uma ilusão
um pai governa uma filha
mas não manda no coração
pois agora a condessinha
vai fugindo no pavão.

134
Logo que Evangelista
Foi chegando na Turquia
Com a condessa da Grécia
Fidalga da monarquia
Em casa do seu irmão
Casaram no mesmo dia.

136
Enquanto Evangelista
Gozava imensa alegria
Chegava um telegrama
Da Grécia para Turquia
Chamando a condessa urgente
Pelo motivo que havia.

138
A condessa estava lendo
Com o telegrama na mão
Entregou a Evangielista
Que mostrou ao seu irmão
Dizendo: - Vamos voltar
Por uma justa razão.

140
Diziam os convidados:
- A condessa é tão mocinha
e vestida de noiva
torna-se mais bonitinha
está com um buquê de flor
séria como uma rainha.

142
Na cidade de Atenas
Estava a população
Esperando pela volta
Do aeroplano pavão
Ou o cavalo do espaço
Que imita um avião.

144
E também a mãe de Creuza
Já esperava vexada
A filha mais tarde entrou
Muito bem acompanhada
De braço com o seu noivo
Disse: - Mamãe estou casada.
FIM
FIM 


segunda-feira, 12 de março de 2012

TIRE A DIANA PEQUENO DO BALAIO


DIANA PEQUENO

História

Diana Pequeno, cantora e compositora brasileira, nasceu em Salvador/BA no dia 25 de janeiro de 1958.
Seu sobrenome realmente é Pequeno, morou na Saúde, no bairro de Nazaré (centro de Salvador) e estudou no famoso Colégio de Aplicação - um dos grandes referenciais em termos de educação nos anos 50 a 70, ganhou até canção dos Novos Baianos. Desse, partiu para a Universidade Federal da Bahia (UFBA), onde foi estudar Engenharia Elétrica.

Em um determinado momento, um amigo de seu pai, Bila, que ainda que não profissionalmente, lidava com música, perguntou se ele poderia indicar três boas cantoras para fazerem testes na RCA-Victor. A esta altura, Diana Pequeno já era conhecida nos meios universitários e midiáticos baianos; assim, seu pai resolveu indicá-la, meio que sem acreditar, junto com outras duas cantoras. Diana foi a única escolhida pela RCA-Victor - uma das gravadoras que mais projetou cantoras nos anos 70 - e, aos 19 anos, entrava em estúdio para gravar o seu primeiro disco.

Estudou Engenharia Elétrica, trabalhou com teatro e música no interior da Bahia. Radicou-se em São Paulo em 1978, quando lançou-se como cantora. Seu primeiro disco, “Diana Pequeno”, teve como carro-chefe uma versão para "Blowin' In The Wind", de Bob Dylan e foi muito bem recebido pela crítica.

No seu último disco, “Cantigas”, ela se voltou para os primórdios da música brasileira. São músicas raras de Chiquinha Gonzaga, Villa-Lobos, Alberto Nepomuceno, Catulo da Paixão Cearense e algumas mais novas de Edu Lobo, Dorival Caymmi, que se integram perfeitamente às demais. Dizem que ficou mais de um ano pesquisando repertório.

Em fins dos anos 1970, quando ainda era estudante de Engenharia Elétrica, destacou-se como cantora nos palcos universitários. Passou nessa época a dedicar-se à música, buscando um repertório caracteristicamente brasileiro, misturado a baladas românticas, além das influências medievais, orientais e africanas. Musicou poetas como Mário Quintana e Cecília Meireles.

Gravou seu primeiro disco pela BMG, ex RCA em 1978, com direção de criação de Osmar Zan e direção artística e de estúdio de Dércio Marques, com as participações especiais de Osvaldinho do Acordeom, Gereba, Grupo Bendegó, Dorothy Marques e Dércio Marques. Entre outras composições, gravou “Cuitelinho”, tema folclórico, adaptado por Paulo Vanzolini, “Acalanto” de Elomar, “Los caminos” de Pablo Milanez, “Relvas” de Dércio Marques e Claudio Murilo e a clássica balada “Blowin'in the Wind”, do cantor e compositor norte americano Bob Dylan, com versão de sua autoria e acompanhamento ao violão de Dércio Marques, e que tornou-se seu grande sucesso.

O sucesso dela foi de maneira que, um dos músicos participantes do seu primeiro disco, acabou namorando e casando com ela. Trata-se do Dércio Marques, que a auxiliou na produção do seu segundo disco, “Eterno Como Areia”(RCA-Victor, 1979).

Em 1979 classificou-se para as finais do festival de música da extinta TV Tupi com a música “Facho de fogo” de João Bá e Vital França. Nesse ano, lançou o LP “Eterno como areia”, com destaque para “Facho de fogo”, de João Bá e Vidal França; “Esse mar vai dar na Bahia”, de Hilton Acioli; “Cantiga de amigo”, de Elomar e “Camaleão”, do folclore pernambucano, além da música título, de José Maria Giroldo.

Em 1980 foi classificada no festival MPB-80 da TV Globo, com a música “Diversidade” de Chico Maranhão. Apresentou-se, ao longo de seus mais de vinte anos de carreira, em diversos países, entre os quais, o Japão onde participou do 13º Festival Internacional da Canção Popular de Tóquio, onde recebeu o prêmio originalidade com a música “Papagaio dos cajueiros”. Naquele país oriental lançou os discos “Sentimento meu” e “Mistérios”.

Em 1981 lançou pela RCA o LP “Sinal de amor”, interpretando entre outras, as composições “Busca-pé” de João Bá e Vidal França, “Vagando” de Paulinho Morais, “Regina” tema folclórico com adaptação de sua autoria, “As flores deste jardim” de Ricardo Villas e “Laura” em pareceria com Luiz Llach. No ano seguinte,lançou o LP “Sentimento meu”, música título de Melão e Vladimir Diniz, além de “Amor de índio”, de Beto Guedes e Ronaldo Bastos, “Paisagem (Canção da menina moça)” e “Missa da terra sem males”, de sua autoria.

Em 1982 separa-se de Dércio Marques.

Quando poderia ter se tornado uma das maiores cantoras do Brasil, Diana tomou a decisão de afastar-se do mainstream. Aproveitou o fim do seu contrato com a RCA-Victor e não o renovou. Voltou ao curso de engenharia. Graduou-se. Recomeçava a vida aos 27 anos. Sua última participação para o grande público foi com um tema de novela, algo que ela só havia feito uma vez, na Bandeirantes, com "Amor de Índio", que foi usada na trilha-sonora da novela em Maçã do Amor: “Haja Coração”, que entrou na trilha da trama global “De Quina Pra Lua”. Longe de ser uma canção ao estilo Diana Pequeno, só foi lançada no LP da novela.

Em 1989, com ajuda da irmã Eliana Pequeno, que sempre foi sua produtora particular, Diana Pequeno lança um disco independente chamado “Mistérios”(erroneamente chamado de Acquarius por alguns - a confusão se dá pelo nome que aparece no rótulo do LP, na verdade “Acquarius” era a produtora da Eliana Pequeno). É um disco intimista, mezzo pop, mezzo regionalista. Lançou também “Mulher Rendeira”. É o disco mais raro de Diana Pequeno, principalmente pelo fato de sua venda ter sido feita pelos correios. A capa é bastante simples, com a sua foto de perfil em preto e branco.

Para esse LP escreveu “Serei teu bem”, versão para “You've Got a Friend”, de Carole King. Em 1989, gravou de maneira independente o LP “Acquarius”, que tinha entre outras as músicas “Olhos abertos”, de Guarabyra e Zé Rodrix; “As ilhas”, de Joyce; “Mulher rendeira”, de Zé Martins e Zé do Norte; “Mil melodias”, de Guilherme Rondon e Paulo Simões e “Tudo no olhar” e “Ser feliz é melhor que nada”, de sua autoria.

Após isto, Diana não fez aparições durante os anos 90.

Em 2001, lançou seu sétimo disco, pelo selo Rádio Mec, com clássicos da música popular brasileira de autoria de Carlos Gomes, Villa-Lobos, Chiquinha Gonzaga e Guerra Peixe, além de canções folclóricas. Em 2002, apresentou-se na Sala Funarte no Rio de Janeiro onde interpretou entras músicas, “Lua branca”, de Catulo da Paixão Cearense e “Canoeiro”, de Dorival Caymmi. É chamada de “Joan Baez” brasileira, pela pesquisa de músicas engajadas, tanto latinas quanto de roda que incluiu em seu repertório.
No seu último disco, “Cantigas”, ela se voltou para os primórdios da música brasileira. São músicas raras de Chiquinha Gonzaga, Villa-Lobos, Alberto Nepomuceno, Catulo da Paixão Cearense e algumas mais novas de Edu Lobo, Dorival Caymmi, que se integram perfeitamente às demais. Dizem que ficou mais de um ano pesquisando repertório.

Diana Pequeno sempre encantou pelo seu jeito descontraído de cantar. Embora ela fosse séria e compenetrada na sua interpretação, a sua voz causava uma sensação de intimidade jamais percebida em outro artista da MPB. O seu sotaque dava à canção um verdadeiro meio-termo entre o urbano e o rural. Ela podia cantar tão bem uma canção pop como “Serei Teu Bem” (versão de “I've Got a Friend”, de Carolyn King), quanto uma canção intimista como “Cuitelinho”.

Em 2003, apresentou-se no programa “A vida é um show”, apresentado por Miéle na TVE, quando falou de sua vida e de sua carreira.

A última aparição pública conhecida de Dianna Pequeno foi em sua terra natal, no ano de 2005. Mais precisamente no projeto “Pelourinho Dia e Noite”. Desde então, ela fez aparições na mídia. Apenas pessoas como o percussionista Papete, o Zeca (moderador de sua comunidade no Orkut) e o Zé Roberto (presidente do fã-clube), ainda tiveram algum contato com ela. Alguns dizem que Dianna fechou-se como profissional de engenharia. Outros, que ela encontra-se em projetos futuros.

Discografia

Diana Pequeno (1978) RCA Victor LP
Eterno como areia (1979) RCA Victor LP
Sinal de amor (1981) RCA Victor LP
Sentimento meu (1982) RCA Victor LP
O mistério das estrelas (1985) RCA Victor LP
Mistérios (1989) Acquarius/Independente LP
Cantigas (2002) Selo Rádio MEC CDFONTEhttp://pt.wikipedia.org/wiki/Diana_Pequeno

1978 - Diana Pequeno


TIRE ESTE ÁLBUM DO BALAIO:
http://www.mediafire.com/?jd8b2k47khc2yuk

1979 - Eterno como areia


TIRE ESTE ÁLBUM DO BALAIO:
http://www.mediafire.com/?84k8bdir697r32o

1981 - Sinal de amor


TIRE ESTE ÁLBUM DO BALAIO:
http://www.mediafire.com/?er4fk5h3j722522

1982 - Sentimento meu


TIRE ESTE ÁLBUM DO BALAIO:
http://www.mediafire.com/?4b51amziiduvoj7

1984 - O mistério das estrelas


TIRE ESTE ÁLBUM DO BALAIO:
http://www.mediafire.com/?t2sdwyshzw4odhd

1989 - Mistérios


TIRE ESTE ÁLBUM DO BALAIO:
http://www.mediafire.com/?i7cihnaj2v5yhaf

2002 - Cantigas


TIRE ESTE ÁLBUM DO BALAIO:
http://www.mediafire.com/?zz8p1w78v5qcf5b

II CEARÁ DAS RABECAS: ENCONTRO DE MESTRES


O encontro reúne mestres rabequeiros e mestres da cultura popular do Ceará e do Brasil, nos dias 17, 18 e 19 de março.
II Ceará das Rabecas: Encontro de Mestres
Um dos eventos que emocionou o público cearense em 2011 está de volta. Novamente reunindo mestres rabequeiros e mestres da cultura popular do Ceará e de outros recantos do Brasil, o II Ceará das Rabecas, acontece nos dias 17, 18 e 19 de março, no SESC SENAC Iracema, em Fortaleza.
A ação cultural conta com o apoio do Governo do Estado do Ceará, através da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará- Secult e SESC-CE. Apoio Institucional: Governo Federal - através da Lei de Incentivo à Cultura, Rede de Atenção Cego Aderaldo, Faculdade Católica de Fortaleza e Buoni Amici´s Pizza. Realização e produção: Mungango Produções.
Com a curadoria do pesquisador e professor Gilmar de Carvalho, o evento contará com a apresentação de 16 mestres rabequeiros e homenageará o mestre Antônio Hortênsio, da cidade de Varjota-CE. Na abertura, no dia 17, acontecerá o lançamento do documentário “Alma de Rabeca”, do cineasta Henrique Dídimo, noite de autógrafos do livro Rabecas do Ceará, de Gilmar de Carvalho e fotos de Francisco Sousa, também expondo no evento.
Este ano participarão atrações como, Cristiano Pinho, Grupo Syntagma, Marivalda Kariri, Jeferson Leite, Reisado de Novo Oriente, Babi Guedes, Fulô da Aurora, Orquestra Armorial do Cariri e Dona Zefinha.
O músico e pesquisador suíço, radicado em São Paulo, Thomas Rohrer, ministrará a oficina Toque de Rabeca e também se apresentará com os mestres. Também haverá oficinas de xilogravura, de construção de rabecas e workshop de fotografia.
O Ceará das Rabecas não se resume apenas aos shows. Os rumos, condições, saberes e fazes da cultura são discutidos nos seminários e debates. Nesta edição, o debate “Dimensões Econômicas da Cultura”, mediado pelo teatrólogo, Oscar Roney O seminário Cultura e Tradição, dias 18 e 19 de março, focará os temas: Políticas Públicas de Cultura e Patrimônio Imaterial. Participarão a secretária da Economia Criativa do MinC, Cláudia Leitão; o presidente da Agência de Desenvolvimento do Ceará – ADECE, Roberto Smith; a socióloga e professora da Universidade Federal do Ceará, Sulamita Vieira; professora e pesquisadora Simone Castro; a museóloga, pesquisadora e musicista paulista, Anna Maria Kieffer; presidente da Funart, Antônio Grassi e o deputado federal (PPS-RJ) e ator Sthepan Nercessian.
O acesso do público é gratuito, que terá a oportunidade de encontro com os mestres rabequeiros cearenses, conhecer suas luthierias, participando de uma intensa e bastante rica diversidade cultural, com oficinas, exposição fotográfica e de instrumentos, worshops, shows, intercâmbios e seminários. O Ceará das Rabecas também intenciona apresentar e valorizar mestres e tocadores que gozam de pouca oportunidade e visibilidade em nosso Estado.
Desta forma, a atenção está voltada para uma manifestação que tem raízes profundas, que se sustenta e vem sendo reinventada pelos grupos jovens, estabelecendo uma possibilidade de diálogo e de possibilidades sonoras e performáticas.
Saiba mais sobre a Rabeca:
Instrumento de origem árabe e incorporado à cultura brasileira, de feitura popular, possui timbre mais baixo que o do violino. Seu som fanhoso é sentido como tristonho. O tocador recosta a rabeca no braço e no peito, friccionando suas cordas com arco de crina, untado no breu. Em levantamento feito por Gilmar de Carvalho e Francisco Sousa, mostrou a existência de mais de cem rabequeiros no Ceará, no qual mostra a vitalidade da manifestação que se revigora na medida em que as tradições são valorizadas. O II Ceará das Rabecas - Patrocínio: CHESF e Fundação VALE.
Exposições de fotografia e luthierias:
A instalação lembra uma casa típica do interior cearense. Nesta proposta estarão expostas as fotos do fotógrafo Francisco Sousa e os instrumentos construídos na hora pelos luthiers. E como em toda casa hospitaleira, quem visita é bem recebido: queijo coalho, rapadura, chá e cafezinho.
Serviço:
II Ceará das Rabecas
Data: 17 18 e 19 de marçoLocal: Sesc Senac IracemaGrátisProgramação e inscrições nowww.cearadasrabecas.com informações:             085 - 3032 3333     

|8894 7717 | 8886 Facebook: Ceará das Rabecas.

domingo, 11 de março de 2012

ROMANCE SOBRE A PRIMEIRA CANGACEIRA BRASILEIRA FOI LANÇADO NA BIBLIOTECA PÚBLICA DO ESTADO DA BAHIA


No último dia 9 de março (sexta-feira), foi lançado na Biblioteca Pública do Estado da Bahia, nos Barris, o livro Anésia Cauaçu, do escritor e jornalista jequieense Domingos Ailton. A obra é um romance histórico, social e regionalista, que tem como protagonista uma mulher que esteve à frente do seu tempo.
Anésia foi a primeira mulher no sertão baiano de Jequié a ingressar no cangaço, a liderar um bando de cangaceiros, a praticar montaria de frente, já que as  mulheres de sua época  montavam de lado em uma sela   denominada silhão, e a vestir calças compridas (as mulheres do período em que ela viveu  apenas usavam vestidos e saias)  nos momentos de combate para facilitar  o enfrentamento  de jagunços dos coronéis  e  das tropas policiais, além de ter sido  a primeira mulher branca a lutar capoeira, antecedendo mulheres como Maria Bonita, Dadá e Lídia no cangaço.
“Este romance nasceu de um desafio feito pelo amigo e confrade da Academia da Letras de Jequié, o historiador Émerson Pinto de Araújo, que, em seu livro Capítulos da História de Jequié, afirmou que Anésia Cauaçu necessitava ser relembrada e reapreciada e que isso era um desafio para os estudiosos e ficcionistas da atual e futuras gerações. Anésia tem uma dimensão tão grande que não cabe apenas nos estudos sociológicos. Por isso, resolvi escrever este romance, baseado em fatos reais, mas que tem muito do imaginário individual e coletivo. A ficção tem este poder de representar o imaginário”, conta o escritor Domingos Ailton.
Diversos capítulos têm como base fontes históricas – os jornais  A Tarde e Diário de Notícias do período da República Velha, principalmente dos anos de 1916, 1917, 1920  e 1930. “O arquivo de jornais antigos e o projeto que possibilitou acessar através de terminais de computadores edições antigos do jornal A Tarde, que existem na Biblioteca Pública do Estado da Bahia foram essenciais como fonte para que pudesse escrever este romance histórico”, ressalta o romancista.
O livro se reporta à formação de Ituaçu, antigo Brejo Grande e às brigas de duas famílias da localidade: os Silvas, chamados de “rabudos”, e os Gondins, denominados de “mocós”. O major Zezinho dos Laços (um dos líderes dos “rabudos”) exige que Augusto Cauaçu acompanhe seu grupo de jagunços em uma emboscada contra a família Gondim. Por conta da recusa de Augusto, este é assassinado a mando de Zezinho dos Laços. Então, a família Cauaçu se reúne e resolve vingar a morte, assassinando Zezinho dos Laços seis anos depois em uma tocaia na Fazenda Rochedo, com uma bala feita do chifre de um boi preto, que fora confeccionada pelo pai de santo Heitor Gurunga, um sacerdote da religiosidade afro que cuidava do povo pobre da região. O irmão de Zezinho, Cassiano do Areão, o cunhado, coronel Marcionílio de Souza e o filho deste, Tranquilino de Souza, passam a perseguir e matar membros da família Cauaçu e do bando de cangaceiros que acompanha o grupo, comandado por Anésia e seu irmão José Cauaçu.