Rádio Engenho Velho

sábado, 5 de julho de 2014

A FESTA DE SANTO ANTONIO

 
Autor: Poeta Francisco de Assis Sousa

Na cidade de Barbalha
Já no sul do Ceará
Todo ano acontece
Boa de apreciar
A Festa de Santo Antonio
O santo do matrimonio
Religiosa e popular

Uma afeição secular
Na cidade se nota
Lá de mil e setecentos
E setenta e oito remota
De Francisco Magalhães
Dentre outros capitães
A Santo Antonio devota

Funda a cidade e adota
Faz a capela, povoa...
Vindo de Urubu de Baixo
Do estado de Alagoas
E proclama padroeiro
O santo casamenteiro
Taumaturgo de Lisboa

O tempo não passa... Voa!
Já em mil e novecentos
E vinte e oito é o ano
Pra nosso conhecimento
É nesta data primeira
Que vem o Pau da bandeira
Abrilhantar o evento

...Um grande acontecimento
A cidade fica cheia
De gente pra ver o mastro
E a bandeira que se hasteia
Foi criação do Vigário
O jovem celibatário
O Padre José Correia

Com outro nome aparteia
A história nos destina
É possível que Correia
Com a sua disciplina
Tenha mesmo se inspirado
Ou seguir certo o recado
Do Padre Ibiapina

O missionário ensina
Difunde na região
Que pro santo devotado
Em cada renovação
Sendo bendito e louvado
Um mastro fosse fincado
Na frente da casa então

No começo a devoção
Somente o hasteamento
Em frente lá da matriz
Era pequeno o evento
O pau era levantado
E no dia festejado
Com pouco divertimento

Já em mil e novecentos
De trinta para quarenta
Junto ao pau da bandeira
Outro fato se acrescenta
O cargo de capitão
Tendo assim a missão
Na tarefa que enfrenta

Na prática se argumenta
O papel do capitão
No carregamento do pau
Tem a distinta missão
Lidera os carregadores
(dos bravos trabalhadores)
Faz-se a coordenação

Também nos chama a atenção
O teor desse relato
Que a cachaça só veio
Mesmo aparecer de fato
E assim se comenta
Que só a partir de quarenta
Ela faz parte no ato

Do Pau da bandeira trato
É oportuno que faça
Um registro relativo
Mencionando a cachaça
Para o cortejo no dia
Toda cachaça que ia                                
Cabia numa cabaça

Não digo: era sem graça
Até o inicio de setenta
Quando em setenta e três
O folclore incrementa
Juntos vigário e prefeito
O plano surte efeito
A festa cresce, aumenta...

Neste ano se implementa
A cachaça do vigário
As barracas lá praça
Da Igreja do Rosário
Expondo o artesanato
Folclore no fino trato
Fazendo o itinerário

Sem atraso no horário
Bem cedinho a alvorada
Banda de música tocando
Quando ainda é madrugada
Lá no pátio da matriz
O sino soa feliz
Anunciando a chegada

Tem zabumda na jornada
Numa só animação
Tocando, xaxado, xote
Mazurca marcha e baião
Num estilo original
Desde o levante do pau
Ao dia da procissão

Fazem genuflexão
Se ajoelham ficam em pé
Tocam coreografando
Benditos com muita fé
Tem toque com geringonça
Briga do cachorro com a onça
Pipoca e caboré

De caminhão ou a pé...
Logo cedo sobem a serra
Devotos e carregadores
Que sujos de barro e terra
Descem com o pau da bandeira
Na fé ou na brincadeira
Pesado que até emperra

Neste mesmo pé de serra
Por São Joaquim nominado
De lá já vão muitos anos
Que o pau é tirado
Por um grupo escolhido
Se no IBAMA é deferido
O mastro será cortado

Solene e muito animado
O encontro de abertura
Celebração da palavra
Misto de fé e cultura
Ofertório e cantoria
Presença da parceria
Paróquia e prefeitura

Na igreja a essa altura
Se acotovelam os fieis
Já não tendo onde sentar
Se acomodam de víeis
Em cada apresentação
Ficam nas pontas dos pés

O sol já queima a tez
Do povo e disposição
No entorno da igreja
Grande movimentação
Prestigiando o folclore
Não há criança que chore
Porá falta de animação

Terminando a missa então
Vai começar o cortejo
Os grupos já se organizam
Acompanhando eu vejo
Capoeiras, berimbaus
Reisado, mineiro pau
N o mais bonito festejo

Andando no mesmo ensejo
A lampinha, e o pau de fitas
Os grupos de penitentes
Tantas caboclas bonitas
Aproveitando o embalo
A dança de São Gonçalo
E a quadrilha que agita

E se vê tantas visitas
Muita gente a desfilar
Violeiros, cantadores
Vaqueiros a cavalgar
Diversas autoridades
Gente de outras cidades
Do mais distante lugar

Sem querer enumerar
Prefeito e vice- prefeito (a)
O vigário da cidade
Promotor, Juiz de direito
Deputados, secretários (a)
Pelo mesmo itinerário
Nas ruas, bem satisfeitos (a)

Percorre do mesmo jeito
O povo em multidão
O capitão da bandeira
Representando os que estão
Que chova ou que o sol bata
Desde cedo lá na mata
Na sua coordenação

Faz-se uma concentração
E antes de encerrar
O cortejo do folclore
No palanque vão falar
Vigário e autoridades
Ai por toda cidade
Muita gente a circular

Esperando o pau chegar
Antes do levantamento
Por todo canto se encontra
Festejo e divertimento
Barbalha vira uma só praça
Tem prece, cerveja e cachaça...
Em torno de um só evento

É enorme o movimento
É a multidão! É a massa!
Tem shows,barraca, tem som
Até onde o pau não passa
Tem zabumba, tem sanfona
Tem casada e solteirona
Tem chá do pau, tem a casca

Um corre - corre pra praça
Da matriz da cidade
Pra se andar no parque
É grande a dificuldade
O pau é muito pesado
Nos ombros vem carregado
Na fé, garra e vontade

Chega à hora esperada
O mastro vai hastear
Santo Antonio vai subindo
Na bandeira a tremular
A nossa festa acontece
Com trezenas, shows, quermesses...
Religiosa e popular.

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