Rádio Engenho Velho

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

SOCIEDADE DOS POETAS DE BARBALHA LANÇARÁ CORDÉIS SOBRE VIDA E OBRAS DE LUIZ GONZAGA



O lançamento dos cordéis faz parte das comemorações do centenário do Rei do Baião.

A Sociedade dos Poetas de Barbalha (SPB) lançará mais dois cordéis, perfazendo um total de quase 26 títulos e quase 25 mil folhetos nos seus dois anos de existência. A solenidade será realizada no hall da Secretaria de Cultura e Turismo, na Rua da Matriz, no Centro Histórico de Barbalha. 
O objetivo da SPB é manter uma das mais ricas tradições da cultura popular, a literatura de cordel. Os cordéis a serem lançados nesta sexta-feira (14), a partir das 19 horas, são de autoria das poetisas Ângela Maria Pereira e Maria do Rosário Lustosa. Ambos têm como mote a vida e a obra de Luiz Gonzaga e faz parte das comemorações do centenário do Rei do Baião. Além dos lançamentos, haverá recital e outras apresentações artísticas.

Fonte: Rádio Cetama/Josélio Araújo

CORDEL SUA MAJESTADE LUIZ GONZAGA O REI DO BAIÃO
Autora:  Rosário Lustosa

Que a Deusa da poesia
Me dê a inspiração
É a quem peço licença
Pra fazer uma narração
Falando um pouco da saga
Do grande Luiz Gonzaga
O nosso Rei do Baião

Com seu jeitão nordestino
E linguagem universal
O seu Império ultrapassa
A área nacional
Que a todos conquistou
E  muito emocionou
De uma maneira geral

A vida de Gonzagão
Em dez livros não cabia
Imagine em um só cordel
Com certeza não daria
Me sentindo sufocada
E até encurralada
Vou começar a grafia

Pra começo de conversa
Veja esta narração
Que ele fez de repente
Em uma declaração
Pelos fazeres da lida
Do que foi a sua vida
Sem nenhuma acanhação: 

“Meu nome é Luiz Gonzaga
Não sei se sou fraco ou forte
Só sei que, graças a Deus,
Té pra nascer tive sorte,
Apois nasci em Pernambuco
O famoso Leão do Norte.

Nas terras do Novo Exú
Na Fazenda Caiçara,
Em novecentos e doze,
Viu o mundo a minha cara.

No dia de Santa Luzia,
Por isso é que nasci Luiz,
No mês que Cristo nasceu
Por isso é que sou feliz.”

Assim falou o Rei Luiz
Com toda a sua euforia
Esta Grande Majestade
Do reinado da alegria
Que a todos agradou
Nas terras por onde andou
Cantando o que bem queria

Foi filho com muito orgulho
De Santana e Januário
E deles Gonzaga herdou
O espirito comunitário
Que procurou ajudar
Sem jamais prejudicar
Quem cruzou o seu cenário

O patrimônio maior
Que o  Gonzaga deixou
São  seiscentos e vinte e cinco
Musicas que organizou
Em duzentos e sessenta e seis
Se tornou  o maior dos Reis
Nos discos que ele gravou

De  Exú pra  Fortaleza
Foi pra terra da garoa
E no Rio de Janeiro
Ele morou numa boa
Com seu filho Gonzaguinha
E sua filha Rosinha
E sua Helena a patroa

Em novecentos e vinte
Começou o seu reinado
Foi no Rio de Janeiro
Que ele foi coroado
E como o Rei do Baião
Que cantou o seu sertão
Gonzaga é respeitado

A beleza da sua obra
O mundo inteiro ouviu
É eterno este reinado
Que Gonzaga construiu
Sua grandeza de vida
Feliz e também sofrida
Que entre nós conduziu

Fez com Humberto Teixeira
Uma grande parceria
Com Zédantas e Morcolino
Esteve em sintonia
Em  musicas que semeou
Em tudo que ele gravou
No mundo da poesia

Uma sanfona um triângulo
Uma zabumba e um pandeiro
Seguiram a sua vida
De modo rústico e matreiro
Embalou sua alegria
Carregada de energia
Foi único sem ter parceiro

Luiz Gonzaga usava
Chapéu de couro e gibão
Bonita indumentária
Que ele herdou do sertão
Do seu Exú que amava
No tempo que frequentava
As festas de apartação

No cenário da poesia
E da musica popular
Xaxado xote e baião
O primeiro a divulgar
Do folclore a riqueza
Da alma teve a grandeza
Que ele deixou no ar

No  começo de sua vida
Gonzaga muito sofreu
O seu primeiro emprego
Que ele não escolheu
Como a primeira etapa
Foi nos cabarés da Lapa
Do Rio onde viveu

Com musicas  e com piadas
Seu repertório montou
As ações dos governantes
O Rei Luiz criticou
Em todo show que ele fez
A todos ele satisfez
Por onde se apresentou

Luiz Gonzaga será
Para sempre eternizado
Como o maior sanfoneiro
Que foi muito apaixonado
Pelo Nordeste querido
De povo bom e sofrido
Que nunca deixou de lado


A Volta da Asa Branca”
Na “Fogueira de São João”
 “Aquilo bom”  “Na Emenda”
Na  “Corrida de Mourão”
“Tem a Morte do Vaqueiro”
E a  “Mulher do Sanfoneiro”
Com “A Mulher do meu Patrão”

A sua obra traduz
A vida de sua gente
A alegria e  esperança
Que o deixava contente
Mostrando a bela história
De toda uma trajetória
Que ele fez diferente

Luiz Gonzaga cantou
A vida de Lampião
O Juazeiro do Norte
E Padre Cicero Romão
Cantou a paz e o amor
E da saudade a dor
Que tinha no coração

Lá no Rio de Janeiro
Campeã se consagrou
A Unidos da Tijuca 
Do  carnaval que passou
Na avenida cantando
Mostrou o sertão sambando
Que seu Luiz inventou

Por seu filho Gonzaguinha
Sempre teve grande amor
Elba e Raimundo Fágner
Foram amigos sim senhor
Dominguinhos o sanfoneiro
Seu velho amigo guerreiro
É o seu maior seguidor
  
Numa grande Sociedade
Luiz Gonzaga viveu
Como feliz operário
Ele sempre obedeceu
Está na Acácia Amarela
Composição muito bela
Musica que ele escreveu

“O Grande  Arquiteto do Universo”
Na musica citou também
“É harmonia, é concórdia”
E ele assegura que tem
Uma casa justa e perfeita
Que ele chamou direita
Onde se sentia  bem

Ao Cratinho de açúcar
Luiz Gonzaga amou
Por lá fez muitos amigos
E a todos respeitou
Alguns estão declarados
Com seus nomes registrados
Nas musicas que ele gravou

O seu ultimo desejo
Foi de poder visitar
O Juazeiro e o Crato
Quando ele fosse passar
Para Exú viajando
Em ultimo adeus acenando
Para poder se enterrar

A este simples pedido
O seu filho protestou
Foi nosso Padre Murilo
Quem logo determinou
Com precisão e sem erro
No dia de seu enterro
Quando seu corpo chegou

No Juazeiro e no Crato
Ele foi homenageado
Para a última morada
Muito bem acompanhado
Foi um dia de tristeza
E seu Luiz com certeza
Pra sempre será lembrado.
                                   
Juazeiro do Norte, Dezembro de 2012

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